Três pesquisas buscam desvendar mitos e verdades sobre vitamina D e Covid19

Três pesquisas buscam desvendar mitos e verdades sobre vitamina D e Covid19

Vitamina D já tem papel cientificamente comprovado na prevenção de algumas infecções respiratórias como pneumonia e influenza (gripe)

Pesquisa brasileira investiga nível de vitamina D em 200 pacientes idosos, internados por Covid-19, no Hospital Israelita Albert Einstein  

A vitamina D, também conhecida como “vitamina do sol”, é fundamental para auxiliar na absorção de cálcio pelo organismo, porém não é de hoje que diversos estudos científicos vêm demonstrando sua ação positiva sobre o sistema imunológico das pessoas, principalmente contra infecções do trato respiratório, como pneumonia, tuberculose e influenza (gripe). 

A partir deste histórico, pesquisadores de diversos países passaram a investigar a ação da vitamina D no combate às infecções causadas pelo novo coronavírus, incluindo especialistas no Brasil, para entender a atuação na prevenção ou no tratamento da Covid-19.

Estudos tem demonstrado que a suplementação de vitamina D de longo prazo e de forma adequada parece auxiliar na prevenção de infecções respiratórias agudas de algumas populações. 

E descobertas interessantes já foram feitas pela comunidade científica global. Um estudo brasileiro, no Hospital Israelita Albert Einstein, tem como foco a síndrome da fragilidade e o quanto os níveis de vitamina D interferem no período de hospitalização, complicações intra-hospitalares, internação em unidades de terapia intensiva e mortalidade em idosos com infecção aguda de SARS-Cov 2. 

Confira o resumo das pesquisas:

Dupla função - Segundo artigo publicado pela centenária revista científica britânica The Lancet1, o papel da vitamina D na resposta à infecção por Covid-19 pode ser duplo: apoiar a primeira defesa do organismo ao vírus, que inclui por exemplo, a produção de peptídeos antimicrobianos no epitélio (tecido) das vias respiratórias, ou seja, protegendo o organismo da invasão do vírus causador de Covid-19 e, no segundo momento, promovendo a redução da resposta inflamatória à infecção. 

Maior risco de infecção na deficiência - Estudo desenvolvido por pesquisadores do Departamento de Medicina da Universidade de Chicago2 analisou 489 pacientes que fizeram teste molecular (PCR) para Covid-19, e apontou que aqueles com deficiência de vitamina D poderiam ter uma chance 77% maior de infecção pela Covid-19 do que os pacientes com quantidade suficiente da mesma vitamina. Os resultados foram publicados na revista médica Journal of the American Medical Association (JAMA).

Estudo brasileiro - Um estudo conduzido no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, vem investigando a relação entre os níveis séricos de vitamina D e o Covid 19 em 200 pacientes hospitalizados, com 60 anos ou mais. A intenção é entender se a deficiência deste nutriente potencializa a ação da fragilidade ou atua de forma independente, sobre as chances do idoso com Covid-19 apresentar evolução clínica grave, segundo o coordenador do estudo, Alberto Frisoli Jr.

Referências

1 Fiona Mitchell; et al. Vitamin-D and COVID-19: do deficient risk a poorer outcome?. 2020. https://www.thelancet.com/journals/landia/article/PIIS2213-8587(20)30183-2/fulltext#%20.%20Acesso%20em%2002.06.2020 

2 David O. Meltzer, MD, PhD; Thomas J. Best, PhD; Hui Zhang, PhD; et al. Association of Vitamin D Status and Other Clinical Characteristics With COVID-19 Test Results. 2020. https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/10.1001/jamanetworkopen.2020.19722?utm_source=For_The_Media&utm_medium=referral&utm_campaign=ftm_links&utm_term=090320